Perfume envenenado

Um jardim belo e bem cuidado, no centro de qualquer lugar tende a aparecer, faz do que já existia uma bagunça, enche de incerto o que sempre foi correto, não exista quem pode parar o alastrar dominador de algo misteriosamente embelezado.

Naturalmente suspeito, nunca se sabe se pode confiar, mas as vezes o desejo de ter consciência é totalmente ignorado no meio do desejo ardente de consumir aquele pecado até a última gota.

Seria melhor ter vigiado, seria melhor não mergulhar de cabeça, mas além de belo aquele jardim exalava um perfume jamais sentido, perfume que confundia os sentidos, sentia-se preso, possuído.

Aquele perfume não era assassino, mas era envenenado, quem quisesse morrer antes deveria arriscar com aquele perfume se envolver.

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  • Talita Gonçalves,

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Angústias

Está bem, eu estou bem, mas as vezes nem quero estar, é confuso falar sobre como estou pois sempre estou como dá, penso que as vezes o coração me engana fazendo tudo parecer melhor, mas talvez eu não possa mais confiar em emoções, talvez eu deva crescer eternamente um ser cheio de razão sem muito bola dar pra emoção.

Veja, eu me encontro em caminhos tortuosos demais para uma jovem comum, me sinto na obrigação de desenvolver super poderes ou então ser uma dama de ferro em terra.

Convenhamos, o coração é facilmente partido quando se entrega a qualquer tipo, não falamos de paixão aqui, não, antes fosse, com essas até que lido bem, mas falamos de crescimento, mental e espiritual, as grandezas são idealizadas e os fracassos ditados, quem pode conseguir, consegue, que não pode, apenas perde.

As angústias que correm com o vento da vida, sempre atrapalham a concepção de entendimentos comuns, transformamos tudo em problemas matemáticos impossíveis de se resolver e quando menos esperamos, pagamos para ver, que toda tempestade era só um clima pesado ameaçando chover.

Eu não me entrego fácil, e muitos também não, mas as vezes peco em ter inveja de quem bate na primeira contra-mão, ter coragem pra fugir da vida parece ser covardia, mas as vezes sinto que viver forçando o que não existe é uma burrice enrustida.

Por um ou por outro eu ainda desejo seguir, ainda desejo me forçar a menos angústias, talvez ignorando-as, talvez convertendo-as a nada, uma hora ou outra eu ganho asas, uma hora ou outra eu me parto numa tombada. swim

  • Talita Gonçalves – INSTAGRAM: @floritalis

Dançando relações

Eu quero dançar essa dança até o fim, quero senti-la correr pelas minhas veias, num único ritmo criamos harmonia, sem avisos explodimos na melodia, somos queridos por nós mesmos, não temos o que esconder do tempo.

Pulando até as alturas, escorregando morros de dor, entendendo a paz, relembrando o começo… Até não ter mais o que fazer, vivemos assim, fazemos assim, dizendo que nos lembramos, sim nos lembramos quando começamos a dançar.

Podemos permanecer por aqui o quanto quisermos, mas com dois passos chegamos ao fim, mas só se ambos quiserem, sei que não pensamos assim, mas tudo vai e volta, vai e volta, eu tenho medo, de amar essa dança mais do que a mim, se penso dia e noite, vivo noite e dia, se respiro esse ar, se me forço a dançar, se existo por isso, se chamo isso de único, não consigo para, não posso me enxergar.

Talvez fosse melhor dançar mais devagar, eu não sei como rodopiar sem ver todos os lados, vou aprender, vou me encaixar, mas por hoje quero descansar, não me ligue de madrugada, só por hoje eu quero me ter, não sinta ciúmes, vou recompensar esse lado que eu tenho de desanimar…

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  • Talita Gonçalves

Minha borboleta

Está distante…

Voa longe…

Tão longe de…

Pouco posso ver a beleza de suas asas, mas para mim é o suficiente, para assim me orgulhar do quão belo se torna a cada dia seu pairar

Vejo quão magnifico é seu crescimento, minha borboleta antes pequenina, rejeitada talvez pela sua aparência estranha e esguia, agora voa, voa perfeita e invejada.

Não vou negar o quanto gostaria de ter minha borboleta a voar somente em meu lar, mas fazendo assim, tão egoísta eu seria…

Me contento em te olhar de longe, me contento em me acostumar com a distância, não rejeito o que podes me dar e faço de tudo para aproveitar cada pedaço do que tens para mim, dessa forma sei que nossa conexão é simples, ainda prematura, mas com potencial sem fim.

Eu nunca lhe pedirei para vir a mim antes da hora, eu nunca irei implorar pela sua atenção sem que possas me dar, minha querida borboleta, mesmo sem te ter aqui, irei te amar, irei te querer, irei te cultivar, e de voo em voo que eu puder de você presenciar, farei de tudo para naquele momento me saciar e assim manter-me calma até o dia em que finalmente em minha mão minha borboleta irá pousar.

 

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  • Talita Gonçalves (à JW – 23/06/18)

O olhar assassino

Estava eu contemplando um dos meus filmes favoritos

Kill Bill Quentin Tarantino (2004)

e decidi não aprecia-lo somente como espectadora mas também como crítica, o que obviamente não sou a melhor mas já sendo familiarizada com direção de palco e afins entendi que seria prazeroso apurar meu olhar para diversos pontos que quase sempre passam despercebidos, eu teria uma lista de coisas incríveis para compartilhar, no entanto queria falar apenas sobre o poderoso olhar de O-Ren Ishii interpretada pela gloriosa Lucy Liu, SANTO DEUS!! Como me arrepia o trabalho que a mesma fez, gostaria muito de saber mais sobre como foi seu processo de preparo para alcançar tamanho êxito em uma personificação.

Não é como se Lucy Liu lhe fitasse, é como se uma assassina te espreitasse, te invadisse, eu admiro muito o trabalho do ator tanto quanto do criador do personagem, pois toda construção possui seus detalhes os quais jamais poderiam ser concluídos em meio termo, é 8 ou 80!

Se você ainda não assistiu Kill Bill, por favor, faça isso, e se já assistiu, por favor assista novamente com a mesma necessidade que eu tive de apreciar ainda mais cada take.

Por falar em take’s colhi alguns de meus favoritos para completar esse post,

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  • Talita Gonçalves

A liberdade de recomeçar

Sim, nós podemos tentar de novo, tentar mais uma vez, mais outra vez e mais quantas vezes for preciso para alcançar aquilo que queremos, claro, devemos tentar e nos empenhar em coisas boas, não somente para ganhos individuais mas para ganhos gerais, jamais poderia eu recomendar que alguém tentasse e tentasse conseguir algo que de alguma forma a machuca ou a leva em ruínas.

Mas de bom coração pode-se tentar, quantas vezes for necessário, pode-se verdadeiramente correr atrás daquilo que se quer, mesmo que todas as outras tentativas tenham dado em nada, tenham sido falhas, não tem como saber qual tentativa será a sonhada vitoriosa, seguimos o que seguimos por fé esperança, por essa razão que sinto a necessidade de dizer o quão importante é tentar mais uma vez.

Não é sobre ser estúpido, não é sobre “dar murros em ponta de faca” é sobre manter-se firme na decisão que uma vez tomou, é sobre valorizar seus sonhos e seu eu que os sonhou.

Seu desejo não é um caso perdido e sua coragem cresce junto com seu desejo de seguir em frente.

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  • Talita Gonçalves

Verdades

Quem é aquele príncipe encantado que dizem por ai?

Quem é o tal cavalheiro que abre a porta e beija mão?

Quem é o bonitão que arma um topete no top da cabeça com gel e laque?

Não conheço e bom pensando bem nem quero conhecer, príncipe para mim pra começar não deve ser encantado, tem que ter os dois pés bem firmes no chão, sem essa de conto de fadas vamos escrever um belo dicionário cheio de certos por certo sem tirar nem por.

Não vem de cavalo branco pro meu lado, mas vem disposto a correr por ai segurando minha mão.

O que as pessoas falam é bem cheio de floreio, homem cheio de pinta Disney, eu não sei se dou conta de bancar um caprichoso assim…

É querido, bem longe de mim, por enquanto dá pra seguir tranquila fazendo a maluca.

Numa dessas eu arrumo um bom monstro desengonçado com um bom beijo na nuca.

Oração para a menina morta

Os sinos foram tocados vinte e três vezes naquele dia, as portas do templo foram abertas esperando peregrinos desinteressados, mas de grande fé depositar suas oferendas.

Naquela manhã o sono tinha vencido e os habitantes da cidade despertaram mais tarde, o dia pesa como um número brilhante na folhinha, o costume era fingir que não se importavam, mas a oração em jejum era feita com mais afinco, só para garantir, havia também uma lenda de que quem habitava os arredores do templo eram tomados por uma apatia fulminante tóxica e transmissível o que faziam alguns optarem pela quarentena em vinte e quatro horas.
Os meninos naquela época crianças hoje já fazem famílias , mas a lembrança da menina morta ainda está lá, junto com a bola e as bonecas, felizardos os que se mudaram ,padecedores os que aqui ficaram. Com quatro batidas dizem eles, apenas quatro; anunciaram a fatídica tragédia. Uma imensa fila foi formada na porta do templo para a despedida, em um vestido branco e cabeça raspada, morta e fria, parecia a imagem de uma santa canônica.

Na porta as beatas comentavam que nunca haviam visto tamanha perfeição em forma de cadáver, os demagogos já discutiam o valor dos alpendres das flores e o caixão branco marfim , honraria á presidentes – uma ofensa -.

Os adultos acompanharam o cortejo ao som de um discurso proferido pelo homem de finas vestes, conhecido por discursos á beira cova. Por volta do crepúsculo tudo havia terminado. Nos anos seguintes a lenda correu regiões desconhecidas aumentando a fama e a sina do lugar, Milagre diziam as beatas , Karma diziam os intelectuais, Lucro diziam os demagogos. As visitas vieram logo depois, uma enxurrada de gente importante, ou bem vestidas vinham por papeis em volta do templo e depositar lindas e diferentes flores no túmulo raso da menina, um artista depois de uma graça atendida resolveu trocar os santos no templo por uma foto panorâmica da menina, como beleza não eram seus atributos , a homenagem foi suspensa dando lugar a uma redoma de vidro onde dentro estava repousando ema tira de veludo vermelho alguns dentes de leite.
No fim do dia das vinte e três badaladas as portas são fechadas e toda oferenda é contada a luz de velas, o fantasma descansa em paz e também a crença do povo infeliz , os planos são levar as estórias de milagres ao vaticano; as Europas ; a Brasília , a evolução chegara e em breve haveriam telefones ali , universidades quem sabe até uma basílica . Nada é impossível, tudo é luxo.
Alí perto do beco da brejauva na pinguela da misericórdia, um menino morre.

 

Ouvir : David Bowie – The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars

Por David Junio

TEMPO A TEMPO

Nada dura para sempre,
desaparece como fumaça
escapa por uma janela aberta
desliza através dos nossos dedos

O tempo é longo na insônia
para a mãe que aguarda o filho
Uma parafina que se derrete.
Ele é cruel demais para a vida
mas uma dádiva do crescimento.

Crianças envelhecem
amigos somem
perdemos alguns amores
deixamos o apego
mas o que nunca muda
é a capacidade de amar.

Vivendo tempo a tempo…

(Rodrigo Santos)

A beirar abismos

  • Esse é o trecho de um romance que estou desenvolvendo, espero que gostem, a ideia é postar duas vezes por semana, mas para isso preciso sempre saber se vocês leitores estão se interessando pelo escrito, não deixe de interagir comigo, deixe seu comentário! É isso, boa leitura!

CAPITULO DOIS – DETESTANDO SURPRESAS (parte 1)

As vezes eu tenho sonhos estranhos, mas acho que é comum, todo ser humano passa por isso, mas sempre que sonho coisas bizarras fico me perguntando de onde foi que meu cérebro tirou vasta criatividade para formar tantas informações estranhas e sem sentido. Eu geralmente nunca sei diferenciar sonhos comuns de pesadelos, tudo pra mim é sempre tão confuso que não sei organizar o que é bom e o que é ruim.

Depois de todo aquele meu dia perturbado e agitado, eu descansei como uma criança em seu bercinho cuidadosamente montado em um quartinho cheiro de ursos de pelúcias com aroma de lavanda, porém no meio da noite acordei com uma fome devastadora, como se minha última refeição tivesse sido a dias, minha primeira reação foi tentar ignorar, estava frio, apenas virei para o lado e fechei os olhos, não era hora de comer era hora de dormir. Falhei, meu estômago reclamava como uma senhora nervosa com a mão na cintura.

“Eu não acredito que estou morta de fome!”

Alcancei o celular na mesinha branca ao lado de minha cama, desbloqueei a tela e quase fiquei cega nos primeiros segundos, quando minha visão se acostumou conferi as horas, 04:15 da manhã.

O tempo estava frio, o clima ainda colhia os frutos das chuvas passadas, consegui ver o vidro da minha janela abafado, se forçasse mais um pouco poderia gear ou até nevar.

Tentei recordar em minha mente o que poderia servir de refeição rápida, que eu me lembrava bem além de comidas comuns, na geladeira haviam algumas frutas, um pote de doce de goiaba, frios e talvez muitas azeitonas. Meu pai era fissurado nelas.

“Acho que posso fazer um sanduíche…”

De pouco em pouco fui me deslocando da cama, me movia semelhante a uma lesma derretendo embaixo de uma chuva de sal, ajeitei a blusa de pijama, procurei embaixo das cobertas uma de minhas meias que perdi, achei, calcei, levei os pés até a pantufa e com olhos meio abertos e fechados caminhei devagar até a cozinha, até chegar lá recebi a ajuda de paredes e móveis da casa. A primeira coisa que fiz foi beber uns bons goles de água, só nisso metade da fome passou, talvez o sanduíche não fosse tanta opção agora, enchi um copo de leite e o bebia enquanto olhava para as coisas dentro da geladeira. Fiquei nisso acho que por um minuto e só me toquei quando o vento frio que saia dela começou a gelar minha barriga. Fechei a geladeira sem pegar nada. Dei dois passos para longe dela, minha barriga roncou, voltei, abria-a e novamente a admirei.

“Pasta de alho e queijo”

Li em um potinho dourado bem no fundo da geladeira, salivei, não sei por que, talvez fosse por que me lembrou churrasco, peguei, abri, cheirei, “Parece bom”, achei alguns bicoitinhos salgados no armário e assim preparei meu lanchei, no meio do ato culinário resolvi olhar para o comodo da sala, e pra minha surpresa eu havia dormido com a janela escancarada, era quase um “OLÁ LADRÕES DO BAIRRO NESTA CASA TEM PASTA DE ALHO E QUEIJO”.

“Não acredito que sou tão burra”

Fui até a sala e num ato desesperado e cansado de averiguação chequei embaixo de uma das almofadas do sofá se havia algum ladrão escondido…

Ao que parece nenhuma anormalidade. Voltei para a cozinha, comi minhas iguarias e fui deitar novamente, agora quentinha, e de barriga cheia, iria descansar as horas que restavam antes de ter que sobreviver mais um dia de aula.

O que houve após isso foi num abrir e fechar de olhos, adormeci plena e acordei com a morte beijando minha boca, a cama estava encharcada de suor, meu corpo tremia, minha cabeça latejava de dor, no desespero levantei da cama num pulo, a pressão caiu, desmoronei no chão.

*continua…*

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Texto por Talita Gonçalves

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